“A liberdade é infinitamente finita”
A opinião da directora do Primeiro de Janeiro foi discutida durante as Jornadas de Comunicação Social.
A conflituosa relação entre a comunicação social e o enquadramento jurídico foram debatidos durante as IX Jornadas de Comunicação Social da Universidade do Minho (UM).
Alessandra Silveira, uma das oradoras do painel “Liberdade: Território Sem Fronteiras?”, partiu para a discussão com o objectivo de mostrar o “lado mais simpático dos juristas” aos estudantes.
A docente de Direito Constitucional da UM explicou que esta vertente do direito funciona segundo uma “lógica promocional”, ou seja, procura promover a dignidade humana e o bem-estar.
No seguimento da exposição, Alessandra Silveira mostrou que a liberdade tem limites e fronteiras, isto segundo o enquadramento legal da liberdade de expressão. Essas limitações são impostas pela legislação que tenta encontrar uma solução equilibrada que proteja as condutas expressivas, mas ao mesmo tempo, proteja também a intimidade das pessoas.
A opinião é partilhada pela directora do Primeiro de Janeiro, Nassalete Miranda, que entrou no debate dizendo que “a liberdade é infinitamente finita”.
Os direitos fundamentais não são definitivos ou ilimitados, lembra a docente da escola de Direito, remetendo a ideia para as palavras do anterior Presidente da República, Jorge Sampaio: “Não há direitos sagrados, há apenas direitos”.
Em relação ao direito à privacidade, aquela oradora alertou para a necessidade de entender a comunicação social enquanto entidade privilegiada para “produzir um efeito amplificador de devassa, algo que a Constituição pretende impedir”.
Alessandra Silveira deu o exemplo dos reality shows, onde os concorrentes expõem voluntariamente dimensões que são protegidas pela Constituição.
A responsável pelo Primeiro de Janeiro acredita que “quando as pessoas são figuras públicas estão sujeitas. As pessoas posicionam-se para a notícia e depois não vale a pena estarem-se a esconder”.
Nassalete Miranda lembrou a audiência que “todos somos consumidores do vizinho” e que os jornais apenas respondem à exigência dos leitores. “O público exige voyerismo”, remata.
Questionada pelos estudantes sobre a conduta da polícia no caso que ficou conhecido por “Envelope 9”, Alessandra Silveira respondeu que “a polícia recorre ao que está mais à mão (escutas telefónicas) como o jornalista, que recorre ao que está mais à mão porque não há dinheiro para fazer outro tipo de investimento”.
Nassalete Miranda opõe-se à visão de Alessandra Silveira. Para aquela jornalista, a comunicação social é “mensageira de uma fonte para um receptor”. Enquanto responsável por um jornal, a sua prioridade é “salvaguardar a fonte e ter em vista o receptor”.
A oradora explicou que o conflito existe porque a comunicação social “lida com uma arma letal que é a palavra” e tem ainda “a mais valia de despoletar o acontecimento e a lentidão da justiça que nos leva à agonia”.
Alessandra Silveira ouviu as ideias da jornalista e destacou a necessidade de acreditar nos legisladores porque “a Constituição só funciona se os cidadãos reconhecerem a sua bondade”.




